A Fundação de Corumbá de Goiás

Povoado situado na margem esquerda do rio Corumbá que existiu, segundo a tradição, de 1730 á 1733. Ao fundo vê-se o cemitério e um garimpo de ouro. Hoje este lugar é próximo de onde está situado o campo das cavalhadas (lado dos cristãos) na rua formosa, bairro Alto Corumbá. Desenho de Lúcia Curado. Pesquisa de Hercílio Fleury

O arraial de Nossa Senhora da Penha do Corumbá, atual cidade de Corumbá de Goiás foi fundado a 8 de setembro de 1730 na margem esquerda do rio que lhe deu seu nome, mais precisamente onde hoje situa-se o trecho da Rua Formosa compreendido entre a entrada do Campo de Cavalhadas do lado dos cristãos e o córrego Santa Clara.

O motivo do surgimento deste arraial foi a descoberta de ouro no lugar onde as águas do ribeirão Bagagem encontram com as do rio Corumbá, o que levou seus descobridores a se fixarem perto desta jazida aurífera para poder explorá-la.

Os fundadores de Corumbá pertenciam a uma bandeira organizada no arraial de Sant’Ana, hoje cidade de Goiás. Ali eles foram autorizados e orientados pelo superintendente das minas goianas, Bartolomeu Bueno da Silva (filho). Bueno, cujo apelido era Anhanguera, havia iniciado em 1726 o processo de colonização das terras dos índios Goiá. Essa bandeira compunha-se de sete paulistas e quatro portugueses, que eram homens livres. Dela também tomavam parte seus escravos de origem africana e indígena. O líder desta expedição sertanista era o Capitão Diogo Pires Moreira, natural da vila paulista de Jacareí, que anteriormente havia descoberto ouro nas Minas Gerais.

Descoberto primeiro veio aurífero e erguido o arraial, foram repartidos entre os bandeirantes os lotes onde iriam minerar, através da concessão de cartas de Datas Minerais. Estes lotes situavam-se na margem esquerda do Corumbá, terminando junto do quintal do rancho que servia de moradia ao seu respectivo proprietário.

Garimpo de ouro no leito de um rio. Desenho de Lúcia Curado.

As edificações iniciais deste povoado foram ranchos de pau-a-pique, com chão de terra batida e cobertura de palhas de buriti. A primeira destas construções foi transformada numa capela dedicada à N. S. da Penha de França, onde foi colocada uma estampa retratando esta aparição de Nossa Senhora nos Pirineus franceses na Idade Média. Isto porque no dia em que o ouro foi encontrado e em que iniciaram o arraial, na cidade de São Paulo acontecia uma festa em honra desta invocação mariana. Daí que os fundadores de Corumbá consideraram tal descoberta como um presente da padroeira dos paulistas e resolveram erguer o novo povoado sob a sua proteção. Os outros ranchos passaram a servir de moradia aos bandeirantes e aos seus escravos.

No trecho da margem direita do Corumbá que confrontava com o local do povoado, perto da confluência do ribeirão Bagagem neste rio, os cativos dos bandeirantes plantaram roças de cereais para abastecer o arraial. Acima destas plantações havia uma clareira na mata ciliar, onde hoje está a Praça da Matriz, que servia de pasto para os cavalos dos pioneiros de Corumbá. Ali fizeram o primeiro cemitério do povoado e na sua frente, onde depois foi erguida a igreja da Penha, foi aberto um garimpo de ouro.

A Transferência do Arraial da Margem Esquerda para a Direita

Desde os seus primeiros meses de existência, o arraial de Corumbá e os garimpos de seus moradores sofreram constantes ataques dos Caiapós, tribo que nessa época dominava o território onde outrora vivera os índios Goyá, hoje Estado de Goiás.

Este tipo de acontecimento trágico fazia com que os moradores daquele povoado tivessem que viver em constante vigilância armada. Porém tal estado de alerta permanente não conseguiu impedir novas investidas dos Caiapós a Corumbá. Assim num destes ataques, essa tribo guerreira praticamente destruiu o povoado, levando os seus moradores a tomarem a decisão de reconstruí-lo num lugar mais seguro.

Assim por razões de segurança fora escolhida a margem direito do rio para nova povoação, região onde hoje está situado o centro histórico de Corumbá de Goiás, que outrora era cercada por volumosos e profundos cursos d’água e também por serras e morros.

No início da seca do ano de 1733, foi edificada uma capela dedicada à N. S. da Penha de França em frente ao cemitério, onde hoje existe a sacristia do lado norte da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. E onde se situa agora a Praça Monsenhor Chiquinho, o sertanista Diogo Pires Moreira ergueu a primeira moradia do novo povoado seguido pelos seus, dando continuidade a esta linda história desta fantástica cidade de Corumbá de Goiás.

Corumbá no ano de 1730, vendo – se a capela primitiva e as casas dos bandeirantes que fundaram o arraial. A primeira casa após a capela foi do líder desses pioneiros, Capitão Diogo Pires Moreira, esta casa a primeira feita em Corumbá foi demolida em 1972 e em seu lugar existe hoje a praça Mons. Chiquinho. Desenho de Lúcia Curado. Pesquisa de Hercílio Fleury.

No dia 08 de Setembro de 2009, dia da padroeira comemorar-se-á os 279 anos de Fundação desta inigualável cidade.

Pesquisa do Historiador Ramir Curado

Outras Referências